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Os aprendizados da Kraft Heinz com a velocidade das foodtechs

Pedro Navio, presidente da companhia na América Latina, destaca os insights vindos de startups como a NotCo e a importância da inovação aberta

Luiz Gustavo Pacete
17 de agosto de 2020 - 6h00

 

Pedro Navio: “Nos últimos dois anos, destinamos US$ 40 milhões em sistemas que nos ajudassem a ter uma resposta mais ágil”

Presidente da Kraft Heinz para a América Latina desde novembro de 2019, Pedro Navio está na compannia desde 2017, após passagens por BRF e Red Bull, ele conduz um processo de retomada de investimento em marketing, fortalecimento das marcas Heinz e Quero e o crescimento no foodservice. Sobre transformação digital, Navio divide o momento da empresa em duas fases: a digitalização interna com ferramentas e processos e a externa, por meio de parcerias como a que foi feita pelo Inovabra Habitat, em fevereiro.

“Nos últimos dois anos, destinamos US$ 40 milhões em sistemas que nos ajudassem a ter uma resposta mais ágil. Da porta para fora, temos uma dinâmica com distribuidores, supermercadistas e todo o ecossistema na criação de interfaces mais avançadas. E, neste caso, fazemos isso com uma área de insights e que tem como premissa utilizar os dados e a tecnologia para encontrar soluções e movimentos disruptivos”, diz Navio que, em entrevista à edição semanal de Meio & Mensagem, também falou sobre marketing, marca e negócios, conteúdo que, até o fim do mês, pode ser acessada gratuitamente pela plataforma Acervo.

Meio & Mensagem – A inovação aberta ganhou muita força durante a pandemia, inclusive com os casos de concorrentes se unindo, por que ainda falaremos cada vez mais desse conceito?
Pedro Navio – Eu acredito muito em inovação aberta, código aberto, plataforma aberta. São soluções para os problemas complexos do mundo. A não ser que seu investimento em pesquisa e desenvolvimento seja desproporcional e você consiga operar em várias frentes de inovação ao mesmo tempo, o que não é nosso caso, você vai precisar de ir além para de fato se mover de forma rápida. E essa parceria que eu mencionei com o Inovabra muda nossa forma de trabalhar e lidar com as novas dinâmicas na relação com os consumidores e fornecedores.

M&M – Existe um movimento de ascensão das foodtechs como a chilena NotCo, por exemplo, que atua em categorias que concorrem diretamente com a Heinz, no caso de condimentos, como é concorrer com empresas menores, ágeis e baseadas em tecnologia?
Navio – São muitos aprendizados vindos da dinâmica das startups. A Heinz tem 150 anos e isso nos traz a necessidade e o compromisso de nos comunicarmos melhor. E levamos isso para a marca quando comunicamos que o ketchup Heinz tem seis ingredientes naturais e só. As startups também nos forçaram à reinvenção primeiro em termos de comunicação. Qual nossa verdade? Como é nosso processo? Somos fãs da NotCo, que você mencionou, e admiramos a capacidade deles de criar um produto do zero em três meses. Empresas como a NotCo nos dão um chacoalhão importante. Por outro lado, uma grande empresa como a Heinz tem uma capacidade de escala e distribuição, que é algo muito complexo. Em resumo, vejo um ambiente muito propicio e fértil na colaboração entre empresas e startups e vejo uma complementariedade importante. Uma empresa centenária como a nossa, precisou se reinventar em vários momentos, caso contrário, não seria hoje uma companhia de US$ 25 bilhões de faturamento.

M&M – Além de CEO, você também atua como investidor, já foi investidor-anjo e atualmente aloca recursos em alguns fundos, como essa experiência agrega à condução da companhia?
Navio – Para mim é um MBA constante. As startups chacoalhara o sistema e o fazem com frequência. Quando você começa a entender e mergulhar no grau de transformação que estamos vivendo como empresa e sociedade esses aprendizados como investidor me deixa mais alerta e me motiva a inspirar a empresa para que ela enxergue a inovação de forma diferente. Inovação não é ter uma super ideia. Inovação é transpiração e muito trabalho. O grau de disrupção que vivemos nessa década é muito maior e mais rápido que qualquer grau de disrupção que tenhamos vivido na história. E quando levamos essa realidade para as empresas, temos dois perfis. Ou você é atingido pela disrupção e vai morrer no meio do caminho. Ou você promove essa disrupção. Em geral, as grandes empresas estão no primeiro grupo lidando com alguém que vai modificar todo seu negócio em um curto período que te faz mudar o tom e a tomada de decisão. O mais importante é sair da posição de querer manter o status quo a qualquer custo e enxergar que existe espaço para testar, errar e ir além.

A íntegra desta entrevista está publicada na edição semanal de Meio & Mensagem, que até o fim do mês pode ser acessada gratuitamente pela plataforma Acervo, onde é possível consultar ainda todas as edições anteriores que circularam nos 42 anos de história da publicação. Também está aberto a todo o público, até o final do mês, gratuitamente, o acesso à versão digital das edições semanais de Meio & Mensagem, no aplicativo mobile, disponível para aparelhos com sistema iOS e Android.

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