Maratona pelo super app ainda depende de branding

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Maratona pelo super app ainda depende de branding

Tipos de serviços e até mesmo o conceito de super aplicativos ainda são desconhecidos no Brasil; Rappi, PagBank, Magalu, WhatsApp e outros aparecem como candidatos

Luiz Gustavo Pacete
29 de julho de 2020 - 6h00

 

No início do mês, a Rappi anunciou três verticais dentro do app, sendo uma delas de Live Events (Crédito: Reprodução)

A necessidade de reduzir as saídas de casa durante pandemia fez com que serviços de delivery, pagamentos digitais e opções de entretenimento indoor vivessem um boom. Muitos deles têm o app como plataforma principal, o que fez com que a tecnologia se tornasse ainda mais relevante. Levantamento da plataforma de análise AppsFlyer mostra que o uso e downloads de apps cresceu em todos os estados do Brasil, com média de 25% de aumento. Em média, apps de delivery de alimentos obtiveram 238% de crescimento, os de bancos digitais, 25%, e os apps de entretenimento 67%.

Fernando Cervan, da O3 Mídia (Crédito: Arthur Nobre)

Essa movimentação trouxe à tona a discussão sobre os super apps, que já existia no Brasil antes da pandemia, principalmente com as referências vindo da China. O WeChat, por exemplo, oferece, além de mensagens, pagamentos, compras, entretenimento e outras possibilidades e é o primeiro nome a ser lembrado quando o assunto é super app.

Algumas empresas que operam por aqui, inclusive, já se intitulam como super apps, mas se tornar o WeChat brasileiro pode ser um desafio. A própria definição ainda é nova. De acordo com estudo da MindMiners, realizado a pedido de Meio & Mensagem, com 500 pessoas, de 14 a 16 de julho, 83% desconhecem a utilidade e o significado dos super apps.

De acordo com o Itaú BBA, um super app precisa de uma base com volume massivo de usuários, a junção de múltiplos serviços e alta recorrência. A análise completa do tema está na edição semanal de Meio & Mensagemcuja integra, bem como o acervo, estão disponíveis até o fim do mês liberados para acesso gratuito pela plataforma Acervo.

Além do aumento em usuários dos apps, em junho, o WhatsApp anunciou a chegada do WhatsApp Payments ao Brasil, serviço de pagamentos que logo na estreia já contava com parceiros como Visa, Cielo, Banco do Brasil, Nubank, Sicredi e Mastercard. O mercado brasileiro foi o primeiro em que a plataforma lançou a função e é o segundo em número de usuários totais, com 120 milhões de pessoas conectadas, atrás apenas da Índia. A novidade, considerada um divisor de águas para o setor financeiro no Brasil, ainda está sob análise do Banco Central que estuda os riscos que o sistema de pagamentos do aplicativo pode trazer, mas sem estipular um prazo para liberação.

Julia Rueff, do Mercado Livre (Crédito: Divulgação)

A Magalu, por exemplo, utiliza o termo “one app shop” para caracterizar os planos da empresa em centralizar tudo o que o cliente precisa, como explica Bernardo Leão, diretor de CRM e novos negócios do e-commerce Magalu. “A empresa tem cinco pilares definidos em sua estratégia de operação e um deles é o super app. Hoje, trabalhamos para aumentar o sortimento e entrar em todas as categorias imagináveis do varejo. Temos também uma carteira de pagamento dentro do aplicativo, o Magalu Pay. Outro ponto é que estamos trabalhando bastante com a geolocalização em nosso app e ele será um forte instrumento de comércio local”, explica.

Julia Rueff, diretora de marketplace do Mercado Livre no Brasil, empresa que mantém os apps do Mercado Livre e Mercado Pago e as plataformas Mercado Envio e Mercado Livre Publicidade, entende que, super app é um conceito muito amplo e que não pode ofuscar o foco em oferecer produtos e serviços que façam parte da jornada e do dia-a-dia dos consumidores. “Nossa missão primordial não é ser um super app, mas avançar com o propósito de democratizar o comércio e os serviços financeiros por meio de nossa conta digital como centro desse ecossistema, proporcionando a melhor experiência possível em compras e pagamentos no mundo online e físico”.

A tendência do super app já era forte no pré-pandemia, como lembra Lucas Reis, fundador da empresa de tecnologia Zaygon. “De forma abrupta, mais pessoas passaram a usar serviços de forma digital e mais serviços passaram a estar disponíveis online. Isso acelera a demanda por um app que integre diversos serviços, que não demande várias instalações, atualizações, a criação de vários logins/senhas, e, mais importante, que detecte os padrões de uso e ofereça uma experiência melhor”, afirma.

Lucas Reis, da Zaygon (Crédito: Divulgação)

Segundo Reis, em termos de escala da população conectada e adesão a serviços digitais, o Brasil é um dos países de destaque no mundo. “Não à toa, o WhatsApp Payments tem o Brasil como um de seus mercados prioritários. Essa é uma iniciativa deste serviço de se posicionar não apenas como um app de troca de mensagens, mas como um superapp de serviço, como o WeChat atua na China. No caso brasileiro, a integração de serviços financeiros tem uma barreira regulatória, mas o Banco Central já anunciou o PIX, meio para transações instantâneas, e tem evoluído no Open Banking, o que deve, no curto prazo, permitir que empresas não-financeiras ofereçam serviços financeiros.”

Fernando Cervan, co-founder e CTO da O3 Mídia, empresa proprietária da plataforma Ganhe Você, especializada em marketplace para pequenos negócios, afirma que o super app é uma possibilidade, mas enxerga um movimento de consolidação ou até mesmo de fusões e aquisições que favoreça players com maior base e volume que eventualmente possam comprar apps menores. “Sinceramente, isso não me agrada, mas é o cenário mais comum. É possível um agregador de ofertas de um determinado segmento, mas o caminho mais provável é o do grande engolindo os menores”, destaca.

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